Quivy, R. (2008). Manual de investigação em ciências sociais. Lisboa. Gradiva.
Principais métodos de análise das informações
1- Análise Estatística
Consiste frequentemente na utilização de tabelas cruzadas, análise de frequências dos fenómenos e da sua distribuição, análise das relações entre varáveis ou entre modalidades de variáveis, através de técnicas gráficas, matemáticas e estatísticas.
Este método é adequado quando os dados são recolhidos por meio de um inquérito por questionário, assim como, quando a investigação é orientada para o estudo das correlações entre fenómenos passíveis de serem exprimidos por varáveis quantitativas.
As principais vantagens deste método são precisão e rigor, manipular rapidamente um grande número de varáveis, clareza dos resultados e dos relatórios, através da representação gráfica das informações. Contudo este método tem algumas limitações visto que nem todos os factos são quantitativamente mensuráveis e por outro lado carece de poder explicativo.
2- Análise de Conteúdo
A análise de conteúdos pode incidir diversos tipos de mensagens (livros, artigos de jornais, documentos oficiais, programas audiovisuais, actas de reuniões, relatórios de entrevistas). O investigador tenta construir um conhecimento através de diferentes fontes. Os métodos de análise de conteúdos incluem a utilização de técnicas relativamente precisas, como o cálculo das frequências relativas ou das co-ocorrências dos termos utilizados, evitando que o investigador interprete os conteúdos em função dos seus próprios valores. A análise de conteúdo na investigação social permite tratar de forma organizada informações e testemunhos que apresentam um certo grau de profundidade e complexidade (por exemplo, relatórios de entrevistas pouco directivas). Por outro lado, a análise de conteúdo quando se trabalha sobre um material rico, assegura as exigências do rigor metodológico e da profundidade inventada.
Os métodos de análise de conteúdos podem-se dividir em:
- métodos quantitativos - mais extensivo (tratamento de um elevado número de informações sumárias), e que têm como informação de base a frequência do aparecimento de certas características de conteúdo ou correlação entre elas
- métodos qualitativos – mais intensivos (tratamento de um pequeno número de informação complexas e pormenorizadas), que tem como informação de base presença ou ausência de uma característica ou modo como os elementos do discurso estão articulados.
Geralmente recorre-se a ambos os métodos.
Os métodos de análise de conteúdo podem-se dividir em três grandes categorias: análises temáticas, análise formais e análise estruturais.
- análises temáticas – incidem sobre certos elementos do discurso, podendo-se distinguir: a análise categorial (que consiste em calcular e comparar as frequências de certas características previamente agrupadas em categorias significativas. Esta análise é essencialmente quantitativa, pois a característica é tanto mais frequente quanto mais importante for para o locutor.) e a análise da avaliação (recai sobre juízos expressos pelo locutor, calculando-se a frequência dos diferentes juízos, assim como a sua direcção (juízo positivo ou negativo) e a sua intensidade.
- análise formais - incidem sobre as formas e encadeamento do discurso podendo-se distinguir: a análise da expressão (forma da comunicação) e a análise da enunciação (recai sobre o discurso e na sua própria dinâmica).
- análise estruturais - incidem sobre aspectos subjacentes e implícitos da mensagem, podendo-se distinguir a análise de co-ocorrências (estuda as associações de temas nas sequências da comunicação que informam o investigador acerca de estruturas mentais e ideológicas ou preocupações dissimuladas) e a análise estrutural (estuda os princípios que organizam os elementos do discurso, independente do conteúdo, procurando descobrir uma ordem oculta do funcionamento do discurso e elaborar um modelo operatório abstracto, afim de se estruturar o discurso tornando-o mais compreensível).
Principais vantagens relativas aos métodos de análise de conteúdos:
- São métodos adequados a estudos implícitos;
- Obrigam o investigador a afastar-se de interpretações instantâneas, incluindo das suas próprias interpretações, pois trata-se de uma análise a partir de critérios que incidem mais sobre a organização interna do discurso que no seu conteúdo explicito;
- Permitem um controle posterior do trabalho uma vez que é uma existe geralmente um documento escrito;
- Apesar de sua forma metódica e sistemática não prejudicam a profundidade e criatividade do investigador.
Limites e problemas
A análise de conteúdos é difícil de generalizar.
Alguns métodos de análise de conteúdos são muito simplistas, como a análise categorial, onde muitas investigações não se adaptam, tendo-se que optar por outro método ou utilizar vários. A análise categorial é aplicada como complemento de outro método.
Por outro lado, outros métodos são muito laboriosos, como a análise avaliativa, que exigem muito tempo e meios necessários para atingirmos os objectivos, pelo que se deve ponderar a sua escolha. A análise de conteúdo tem muita aplicabilidade, no entanto não existe uma mas vários métodos de análise de conteúdos.