Este blogue será utilizado na nova Unidade Curricular - Metodologias de Investigação do Programa Doutoral Multimédia em Educação. Os elementos do grupo são: Carlota Lemos,Cláudia Cruz, Isabel Araújo, Luís Pereira e Lurdes Martins.

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Mar 10




















Stake, R. (2009). A arte da investigação com estudos de caso. Lisboa. Fundação Calouste Glubenkian.


 


Este autor alerta para o facto de que não existe um momento específico para iniciar a análise de dados. Esta prendesse com todo o processo de investigação começando por dar significado às primeiras impressões e no fim dar significado às conclusões finais. Através da análise e da interpretação de dados vai sendo possível compreender tudo. Analisar implica fraccionar impressões e observações. Como refere o autor “o estudo qualitativo tira partido de maneiras comuns de compreender. A tarefa de análise de dados qualitativa não é linear, por vezes encontra-se algo de novo que nos leva a reflectir e possivelmente a criar uma nova classe de coisas. Citando esta obra “ Mentalmente, realizamos uma espécie de dissecação para vermos as partes separadamente e como elas se relacionam umas com as outras, talvez para ver como as partes nos ajudam a relacionar estas com outras espécies.”


Existem duas estratégias para encontrar significados ou através da interpretação directa da ocorrência individual ou através da agregação de ocorrências até que se possa definir classes. Em estudo de caso ordena-se a acção em sequências, categoriza-se as propriedades e faz-se contagens numa agregação intuitiva. O investigador qualitativo estuda a ocorrência procurando fraccioná-la de modo a reconstituí-la mais claramente – análise e síntese na interpretação directa. Enquanto o investigador qualitativo procura um conjunto de ocorrências conjecturando que a partir do agregado surjam significados relevantes para os problemas. As estratégicas analíticas a seguir, agregação categorial ou interpretação directa, dependem da natureza do estudo, das perguntas de investigação e do próprio investigador.


A busca de significado pode ser considerada como busca de padrões, de consistência a que o autor chama “correspondência”. A busca de padrões pode ocorrer enquanto se está a analisar documentos, a observar ou a entrevistar, ou mesmo a codificar os registos e a agregar as frequências. Pode-se numa ocorrência isolada encontrar um significado relevante. Quer a agregação categorial quer a interpretação directa dependem da busca de padrões. Quando se tem pouco tempo recorre-se à interpretação directa para procurar o padrão ou a significação. Em ocorrências mais importantes examina-se mais repetidamente, reflectido, triangulando, e sendo críticos às primeiras impressões e significados aparentemente simples. Segundo Stake antes de os dados serem recolhidos deve-se definir o que procurar, as categorias de codificação e as potenciais correspondências. É importante saber seleccionar as melhores observações e manter o caso e os problemas bem focalizados.


Em estudo de caso pretende-se tornar o caso compreensível e é reduzido o interesse em generalizar a partir de um caso para outro. Contudo, pode-se aprender muita coisa que é geral nos casos únicos.


 


As generalizações naturalistas resultam de conclusões tiradas através das experiências quotidianas ou através de uma experiência vicárias tão bem relatada que a pessoa interiorizou como se tivesse acontecido a si mesma.


Em estudos de caso o investigador, para produzir generalizações proposicionais ou fornecer informação adicional às generalizações naturalistas do leitor, tem que fazer escolhas no sentido de organizar as suas análises e interpretações. O leitor poderá utilizar tanto as nossas descrições como as nossas generalizações proposicionais (explicadas).


Passos para validar generalizações naturalista:


“Uma lista de coisas para auxiliar na validação da generalização naturalista


  1- Incluir relatos de assuntos que os leitores já conhecem para que eles possam aferir o rigor, a plenitude e a parcialidade de outros relatórios sobre outros assuntos.


  2-  Fornecer os dados em bruto adequados anteriormente à interpretação para que os leitores possam considerar as suas próprias interpretações alternativas.


  3- Descrever os métodos de investigação de caso usados em linguagem corrente, referindo como a triangulação foi levada a cabo, especialmente a confirmação e os esforços para desconfirmar as asserções principais.


   4- Disponibilizar informação, tanto directa como indirectamente, sobre o investigador e outras fontes de informação adicionais.


  5-   Dar a conhecer ao leitor reacções aos relatos das fontes de dados e outros leitores possíveis, em especial aqueles que se espera venham a fazer uso do estudo.


  6-  Desvalorizar a ideia de que a validade de baseia no que cada observador vê, na simples réplica; salientar se os acontecimentos relatados podiam ou não ter sido vistos.”


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