Este blogue será utilizado na nova Unidade Curricular - Metodologias de Investigação do Programa Doutoral Multimédia em Educação. Os elementos do grupo são: Carlota Lemos,Cláudia Cruz, Isabel Araújo, Luís Pereira e Lurdes Martins.

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Mar 10

 

Segundo Bogdan e Bilken (1991: 205) a análise de dados é um “processo de busca e de organização sistemático de (…) materiais que foram sendo acumulados, com o objectivo de aumentar a sua própria compreensão” .
Este processo consubstanciar-se-á em diferentes fases:
·         Organização dos dados;
·         Divisão dos dados em unidades manipuláveis;
·         Procura de padrões;
·         Descoberta de aspectos importantes.
Dado existirem diversas formas de trabalhar os dados resultantes de uma investigação qualitativa, os autores distinguem entre dois tipos de abordagem:
1.      Análise concomitante com a recolha de dados
2.      Análise após a recolha de dados
Análise concomitante com a recolha de dados
Os autores não recomendam esta abordagem a investigadores com pouca experiência, embora reconheçam que existe sempre alguma análise que tem de ser feita no momento de recolha de dados. Assim, são apresentadas algumas sugestões no sentido de tornar o processo de análise mais eficiente:
·         Fazer escolhas que contribuam para afunilar o âmbito do estudo e consequentemente recolher dados mais precisos e centrados num contexto ou sujeito(s) específico(s).
·         Optar por um modelo investigativo, na medida em que este condiciona o processo encetado daí em diante.
·         Elaborar questões de natureza aberta e analítica. A formulação de questões é que orienta o processo de recolha e análise de dados, logo deverão estar intimamente relacionadas com o estudo que se pretende levar a cabo. Num estudo qualitativo, as questões devem ser mais orientadas para processos e significados do que para aspectos como causas ou efeitos.
·         As sessões de recolha de dados devem ser planificadas no sentido de responder à questão “o que é que ainda não sei e pretendo saber?”. A reposta a esta questão poderá levar à necessidade de proceder a reajustes ao plano inicialmente elaborado.
·         O investigador deve registar notas / comentários, especular , estimulando o pensamento crítico sobre o que observa.
·         Redacção periódica de memorandos, num estilo informal e livre, em que o investigador procura estabelecer ligações entre os dados que observou e as suas notas / comentários.
·         Confrontar os sujeitos observados ou, segundo os autores, “informadores-chave”, com a informação recolhida, no sentido de estes validarem os dados.
·         Proceder à revisão da literatura paralelamente ao trabalho de campo. Esta perspectiva contrasta com a de outros autores como Glaser, que consideram que a revisão teórica deve ser primeiro passo na investigação qualitativa. O investigador não deve deixar que as leituras efectuadas funcionem como inibidoras do pensamento crítico.
·         Expandir os horizontes analíticos através da utilização de metáforas.
·         A utilização de auxiliares visuais como diagramas, tabelas e matrizes poderão também facilitar o processo de análise.
 
Análise após a recolha de dados
·         Desenvolvimento de categorias de codificação – findo o processo de recolha é necessário organizar a informação de acordo com um esquema que tem de ser desenvolvido. A criação de um sistema de codificação inicia-se com diversas leituras da informação recolhida no sentido de regularidades, padrões, temas recorrentes, procurando palavras ou frases capazes de os sistematizar. Estas palavras ou frases apelidam-se de categorias de codificação. Estas categorias são influenciadas quer pelas questões de investigação, quer pelos objectivos. Ainda assim, os autores apresentam exemplos de códigos, no sentido de ilustrar como é que a informação pode ser codificada:
o        Códigos de contexto: nomeadamente bibliografia descritiva.
o        Códigos de definição da situação: como as percepções dos sujeitos sobre situações ou tópicos particulares.
o        Perspectivas tidas pelos sujeitos: que incluem normas, regras  e pontos de vista partilhadas.
o        Pensamentos dos sujeitos sobre pessoas e objectos: relacionados com as percepções que os sujeitos têm uns dos outros.
o        Códigos de processo: muito utilizados nas histórias de vida, referem-se a categorização de sequências de acontecimentos, alterações ao longo do tempo.
o        Códigos de actividade: relacionam-se com tipos de comportamentos de carácter regular.
o        Códigos de acontecimento: apontam para casos particulares ou com escassa incidência.
o        Códigos de estratégia: “referem-se a tácticas, métodos, caminhos, técnicas, manobras e outras formas conscientes de as pessoas realizarem várias coisas” (p. 227).
o        Códigos de relação e de estrutura social: relacionadas com padrões de comportamento entre pessoas (amizade, coligações, romances)
o        Códigos de métodos: como por exemplo os comentários do investigador.
o        Sistemas de codificação preestabelecidos
 
As formas de trabalhar os dados
O primeiro passo consiste em organizar todo o material de modo a facilitar a sua consulta. Passa-se, de seguida, ao desenvolvimento de categorias de codificação, a que é, posteriormente, atribuído um código (número, abreviatura). O etapa seguinte caracteriza-se pela estruturação do material em unidades de dados. As unidades de dados tanto podem ser constituídas por um parágrafo, como uma frase, ou um conjunto de parágrafos. Muitas vezes há uma sobreposição de unidades de dados, uma vez que os dados cabem em mais do que uma categoria.
 
 
 

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