Norton, L. S. (2009). Action Research in Teaching and Learning. A practical guide to conducting pedagogical research in universities. Routledge e Taylor & Francis e-Library. Oxon and New York.
7. Como pode analisar os dados qualitativos na pesquisa-acção pedagógica?
A análise qualitativa é útil em estudos de pesquisa onde:
• pouco é conhecido sobre a área de investigação e a questão de pesquisa está moldada para permitir a descoberta de novas informações;
• é pedido uma compreensão mais profunda do ponto de vista da pessoa que está a ser pesquisado;
• é necessária mais informações, mas detalhes (que podem ser difíceis de quantificar), que podem ser obtidos a partir de perguntas abertas para amplificar as respostas ao questionário;
• existem fontes como os diários, as tarefas dos alunos, gravações em vídeo ou relatórios.
O seu principal objectivo é conhecer totalmente a parte subjectiva do desempenho do pesquisador, não apenas na recolha de dados, mas também na forma como os analisa e interpreta.
O autor refere vários tipos de análise qualitativa, por exemplo:
• Grounded Theory (descobrindo a teoria / hipótese a partir dos dados);
• Análise do discurso (análise dos significados subjacentes no discurso / texto);
• Semiótica (estudo dos signos, ou seja, palavras, imagens, sons, gestos e objetos);
• Investigação fenomenológica interpretativa (compreender a perspectiva do indivíduo e experiência).
Concentrou-se na descrição de dois métodos:
• Análise temática (procura de padrões);
• Análise de conteúdo (que descreve como meio caminho entre a análise qualitativa e quantitativa).
Análise temática (procura de padrões)
Refere que este processo pode ter outras variações, mas é sempre fundamental a aplicação cuidadosa da reiteração e codificação dos temas e categorias. Considera que nesta análise, não há perda de rigor numa interpretação subjectiva, desde que se especifique as etapas que se tomaram para fazer essa análise e interpretação, que dá uma compreensão profunda do tema que se está a pesquisar do ponto de vista do participante. Este método concretiza-se em 7 fases:
Fase 1, Imersão – após a primeira leitura das transcrições do todo das entrevistas e não só das respostas, deve-se anotar os temas gerais que foram observados.
Fase 2, Gerar categorias – leitura muito mais atenta de cada transcrição de modo a permitir a criação de categorias, tantas quantas as possíveis, assim como uma designação que melhor descreva cada uma.
Fase 3, Excluir categorias – por exemplo, excluir categorias com um ou dois exemplos ou cujos temas se sobreponham consideravelmente. No entanto, dado a subjectividade deste processo e desde que justificado devidamente, pode-se manter uma categoria com apenas uma ou duas respostas, por exemplo, se for mais fiel à análise da pesquisa.
Fase 4, Fundir categorias – olhar de novo para as categorias, refinar e descrever os temas com mais precisão, reclassificando-os (cerca de 10 a 15 categorias)
Fase 5, Verificar temas – reler as transcrições com a lista de categorias ao lado, analisar a existência de ambiguidade e, se necessário, descobrir uma terminologia mais precisa.
Fase 6, Unir temas – tendo em mente o objectivo da investigação, anotar as relações que existem entre os seus temas, procurando padrões que façam sentido e permitam encontrar uma explicação coerente e convincente para explicar os dados.
Fase 7, Apresentar as conclusões – seleccionar os dados mais importantes da investigação e apresentar uma narrativa analítica sobre a forma como os exemplos estão ligados entre si.
análise de conteúdo (meio caminho entre a análise qualitativa e quantitativa)
o autor considera que este método combina a busca de significados e uma compreensão mais profunda do tema a pesquisar, com a capacidade de realizar alguns procedimentos quantitativos.
Taxonomia SOLO de Biggs e Collis '(1982) permite ver se o nível de compreensão está relacionada com o grau redacção dada. Esta taxonomia encontra-se descrita segundo 5 níveis: pré-estrutural, uni-estrutural, multi-estrutural, relacional e resumo alargado.
A análise de conteúdo tem uma abordagem para formular o tema mais objectiva do que a análise temática utilizando medidas quantitativas para o fazer. Concretizam-se 5 fases neste método:
Fase 1, Decidir sobre a unidade de análise – que unidades de análise usar: palavras, frases, parágrafos, … dependendo da questão de pesquisa.
Fase 2, Dividir as transcrição em unidades de análise
Fase 3, Construção de categorias (o mesmo das fases 1 a 5 da análise temática)
Fase 4, Atribuir as unidades de análise às categorias (codificação) – todas as unidades têm de ser incluídas numa categoria, mas nenhuma pode aparecer em mais que uma categoria.
Fase 5, Calcular a percentagem de unidades de informação em cada categoria (aplicar a análise estatística a estes dados, para aprofundamento do estudo).