Este blogue será utilizado na nova Unidade Curricular - Metodologias de Investigação do Programa Doutoral Multimédia em Educação. Os elementos do grupo são: Carlota Lemos,Cláudia Cruz, Isabel Araújo, Luís Pereira e Lurdes Martins.

23
Mar 10









Após algum distanciamento, que nos pareceu imprescindível para manter a imparcialidade, gostaria de em meu nome pessoal e também dos colegas Cláudia e Luís, de expressar a nossa discordância em relação à discrepância de classificações relativas à participação nos blogs. Após análise comparativa cuidada das intervenções de todos os elementos do nosso grupo, pareceu-nos, efectivamente, não fundamentada a classificação inferior atribuída à colega Isabel no parâmetro relevância.  Não poderíamos deixar de nos pronunciar, até porque o nosso silêncio poderia ser encarado como anuência, quando, na realidade, estamos perante a situação oposta.



Carmo, H. e Ferreira, M.M. (1998). Metodologia da Investigação. Guia para auto-aprendizagem. Lisboa. Universidade Aberta.


Segundo os autores, muito se tem discutido sobre as vantagens e inconvenientes relativos à adequada utilização dos métodos quantitativos e de métodos qualitativos em trabalhos de investigação em Ciências Sociais, assim como sobre a possibilidade de uma combinação dos dois métodos.


Segundo Reichardt e Cook (1986), citados pelos autores, o paradigma quantitativo é orientado por uma concepção global positivista, hipotético-dedutiva, particularista, orientando-se, essencialmente, para os resultados e o paradigma qualitativo requer uma concepção global fenomenológica, indutiva, estruturalista, subjectiva que se orienta para o processo, sendo importante o contexto de acção.


Características dos métodos qualitativos


Os autores consideram essencialmente as seguintes características nos métodos qualitativos:


Indutiva – os investigadores analisam a informação de “forma indutiva”; compreendem os fenómenos a partir de padrões resultantes da recolha de dados e da análise dos dados que se encontram inter-relacionados; não procuram a informação para verificar hipóteses;


Holística – os indivíduos, os grupos e as situações de investigação são vistas como um “todo” não são reduzidos a variáveis; os investigadores têm uma percepção da realidade considerando também como alvo de estudo, o passado e presente dos sujeitos de investigação;


Naturalista – a fonte directa dos dados são as situações que se consideram “naturais”; os investigadores interagem com os sujeitos de uma forma “natural” e discreta, procurando minimizar o efeito que provocam nos sujeitos de investigação;


Humanística – os investigadores tentam conhecer os sujeitos da investigação como “pessoas”, experimentando as suas vivências diárias, sendo fundamental o contexto dos actos, palavras e gestos;


Descritiva – a descrição deve ser rigorosa e resultar dos dados recolhidos (transcrições de entrevistas, registos de observações, documentos escritos, gravações de vídeo, …); a validade e fiabilidade dos dados depende da sensibilidade e conhecimento do investigador, que se torna o instrumento de recolha de dados.


 


Concordo com a Cláudia quanto à complexidade deste tema. Penso que tal deriva, não só dos termos técnicos mas também da sua utilização descontextualizada do real e da parte prática.


No sentido de tentar clarificar um pouco mais esta questão reporto-me a Carmo e Ferreira (1998).


Métodos Quantitativos:


Utilização ligada à investigação experimental ou quasi-experimental o que pressupõe:



  • observação de fenómenos;

  • formulação de hipóteses explicativas desses fenómenos;

  • controlo de variáveis;

  • selecção aleatória dos sujeitos de investigação (amostragem);

  • verificação ou rejeição das hipóteses mediante recolha rigorosa de dados, sujeitos depois a uma análise estatística e uma utilização de modelos matemáticos para testar essas mesmas hipóteses;


Implicam:



  • Revisão de literatura pertinente - essencial para:


    • a definição dos objectivos do trabalho

    • a formulação de hipóteses

    • a definição de variáveis




 



  • Plano de investigação estruturado pelo investigador, com:


    • objectivos e procedimentos de investigação indicados pormenorizadamente



  •  

  • Testes para testagem de hipóteses (entre outros):


    • teste t

    • teste de Mann-Whitney;

    • ANOVA (análise de variância);

    • MANOVA (análise da variância multivariada);




Limitações:


 



  • Complexidade dos seres humanos;

  • Estímulo que dá origem a diferentes respostas de acordo com os sujeitos;

  • Grande número de variáveis cujo controlo é difícil ou impossível;

  • Subjectividade por parte do investigador;

  • Problemas da validade e fiabilidade dos instrumentos de mediação;


validade de um instrumento - adequação para medir o "objecto" de estudo;


fiabilidade de um instrumento - capacidade para que diferentes investigadores obtenham resultados iguais.


 


Carmo, H. e Ferreira, M. (1998). Metodologia da Investigação - Guia para auto-aprendizagem. Universidade Aberta










Afonso, N. (2005). Investigação naturalista em Educação. Porto: Edições Asa


Descrição, análise e interpretação de informação quantitativa


Segundo o autor, os valores que expressam a informação quantitativa são o culminar de um processo de medição de variáveis. Estas variáveis podem ser classificadas em:


·         Nominal – a variável é classificada em diferentes categorias, sendo que existem tantos valores, quantas as classes definidas. Por exemplo, na variável género, existem dois valores, o feminino e o masculino.


·         Ordinais – as escalas ordinais são utilizadas quando é possível ordenar e diferenciar objectos, indivíduos ou comportamentos em função da variável medida.


·         Intervalares – esta escala é utilizada quando “os intervalos entre os números que representam as diferenças na variável que está a ser medida é igual” (p. 117). Nesta escala o ponto zero é arbitrário, representando, apenas, o ponto de partida.


·         De razão – esta escala é semelhante à escala intervalar, mas, neste caso, o valor zero tem uma existência real. Um exemplo é a medição da temperatura.


A descrição e análise dos resultados obtidos pela utilização das escalas mencionadas é efectuada através de um conjunto de procedimentos estatísticos, nomeadamente a estatística descritiva, utilizada para descrever um conjunto de características verificadas numa amostra; a inferência estatística, que permite emitir juízos sobre a generalidade da população  a partir dos resultados da amostra; os testes de hipóteses, utilizados para determinar se o comportamento diferente observado em dois grupos relativamente a uma determinada variável, podem ser atribuídos a uma variável independente, ou se são mera coincidência; as estatísticas de correlação, que procura verificar a relação entre dois conjuntos de valores; as estatísticas de regressão, em que se procura estabelecer, com base num conjunto de valores conhecidos, um outro conjunto de valores.


 


Análise e interpretação de informação qualitativa


Quando comparado com a análise e interpretação de informação quantitativa, o autor classifica  o tratamento da informação qualitativa como  “muito mais ambíguo, moroso e reflexivo, que se concretiza numa lógica de crescimento e aperfeiçoamento” (p.118). Da análise e interpretação singular da informação obtida resultará um novo texto, de carácter científico.


O autor apresenta a abordagem à construção interpretativa de Anselm e Corbin (1998), que se consubstancia em três fases:


·         Descrição – esta fase caracteriza-se pelo recurso às palavras para reproduzir uma imagem mental, experiência, emoção, situação, etc., respeitando, na íntegra o ponto de vista do seu autor.


·         Estruturação conceptual – trata-se de uma estruturação dos dados em categorias específicas, organizadas em função das suas especificidades.


·         Teorização – segundo o autor “a teorização não consiste só na produção e intuição de conceitos e sua formulação num esquema lógico, sistemático e explicativo. Inclui também as considerações das implicações desse esquema, a organização de trabalho empírico para atestar essas implicações, e o confronto entre os esquemas conceptuais que vão sendo elaborados e os novos dados que vão sendo recolhidos, com o objectivo de consolidar a teria em construção” (p.119).


Ao nível da gestão operacional dos dados obtidos, o autor alude ao plano apresentado por Marshall e Rossman (1999), concretizado em seis fases:


·         Organização dos dados  - caracteriza-se pela leitura sistemática de todo o material, organizando-o e estruturando-o de forma lógica e de modo a facilitar a consulta.


·         Produção de categorias, temas e padrões – caracteriza-se pela construção de uma grelha de categorização, que se vai construindo de forma gradual. As categorias de significação emergem da interacção entre os objectivos que presidiram à elaboração do instrumento de recolha de informação e as regularidades  e tópicos que surgem de uma análise dos textos obtidos. As categorias poderão ter vários níveis de abrangência, nomeadamente metacategorias, categorias e subcategorias.


·         Codificação dos dados – caracteriza-se pela atribuição de um código, que pode ser um número, abreviatura de palavra, cor,  a cada categoria, de forma a que todo o texto se estruture em unidades de sentido que devem ir ao encontro dos objectivos de pesquisa.


·         Testagem das interpretações – caracteriza-se pelo estabelecimento de relações lógicas entre diferentes partes do material empírico,  questionamento da coerência e solidez das interpretações que vão sendo efectuadas.


·         Busca de explicações alternativas – esta etapa é simultânea à anterior e  procura debelar fragilidades nos argumentos construídos, nomeadamente procurando dados que possam questioná-los ou enfraquecê-los.


·         Produção do texto final – o processo de redacção não pode ser dissociado do processo de análise. Deverá haver a preocupação de responder às questões de pesquisa que nortearam todo o processo investigativo, tendo em conta, também, o quadro teórico elaborado.



Março 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
27



subscrever feeds
arquivos
pesquisar
 
blogs SAPO