Este blogue será utilizado na nova Unidade Curricular - Metodologias de Investigação do Programa Doutoral Multimédia em Educação. Os elementos do grupo são: Carlota Lemos,Cláudia Cruz, Isabel Araújo, Luís Pereira e Lurdes Martins.

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Mar 10

Norton, L.S. (2009). Action Research in Teaching and Learning. A practical guide to conducting pedagogical research in universities. Routledge e Taylor & Francis e-Library. Oxon and New York.


 


Logo na fase de concepção da proposta de investigação deve-se dar uma ideia detalhada da análise dados que se pretende fazer, devendo esta estar em conformidade com o objectivo principal do estudo e objectivos específicos. Se se está a planear utilizar a análise estatística, deve-se justificar os testes que se pretende usar (por exemplo, paramétricos ou não-paramétricos, o nível de significância estatística a ser definido, …). Se se está a pensar usar a análise de dados qualitativos, deve-se dar o máximo de informações possíveis relativas aos dados (codificação, classificação, categorização e/ou verificação) assim como descrever as regras ou princípios gerais que irão conduzir a análise proposta (por exemplo, teoria fundamentada, a análise do discurso, …).

Posteriormente, o autor descreve alguns princípios básicos de pesquisas, experiências e estudos de observação, como os métodos de investigação mais utilizados em pesquisa quantitativa e alguns princípios básicos da análise temática e análise de conteúdo, que mais frequentemente são utilizadas em pesquisas qualitativas.

Por exemplo, nos questionários considera que se tem três tipos principais de perguntas:

- as perguntas abertas cuja análise mais comum seria a temática ou análise de conteúdo;

- as perguntas fechadas que apesar de se perder precisão têm a vantagem se ser mais fácil de analisar; através da estatística descritiva, tais como contagens de frequência ou representação gráfica que são as formas mais simples, entre outras;

- pergunta híbrida, uma pergunta que define categorias e também tem uma categoria "outros" para os respondentes cujas respostas não se encaixam facilmente nas categorias pré-determinadas. Desta forma, preserva-se a análise dos métodos anteriores.

Na pesquisa experimental, cujo objectivo é estabelecer uma causa efeito, normalmente o pesquisador começa com uma hipótese e, em seguida, projecta uma experiência para a testar. Neste tipo de experiência pode-se utilizar grupos independentes (por exemplo, um grupo recebe algum tipo de intervenção e outro é grupo de controlo) ou grupos emparelhados ou medidas repetidas (os mesmos participantes são medidos por duas vezes, antes e depois da intervenção). Os métodos quantitativos e análise estatística irão permitir interpretar a significância estatística dos resultados.

Na pesquisa observacional (observação directa, observação naturalista e observação participante), sempre que são utilizados vários observadores deve-se calcular uma medida de confiabilidade entre avaliadores, pelo menos, uma amostra dos comportamentos de interesse, para resolver o problema de viés do observador. Os dois métodos mais utilizados são o percentual de concordância e coeficiente kappa de Cohen. O primeiro método é o rácio entre o número de vezes que os dois observadores concordam dividido pelo número total de avaliações realizadas. De um modo geral, considerada necessário haver 70% de acordo entre os observadores, suficiente ter 80% e 90% é considerado bom. No coeficiente de kappa de Cohen, mais de 0,8 é um bom acordo, é considerado substancial se está entre 0,6 e 0,8, é moderado para valores entre 0,4 e 0,6 e entre 0,2 e 0,4 é justo.

As pesquisas correlacionais, não são um método de investigação, mas uma técnica estatística, são usadas para mostrar se existe uma relação entre dois comportamentos independentes ou medidos. A força de uma correlação pode ser calculada estatisticamente pelo coeficiente de correlação. Quanto mais próximo o coeficiente de correlação está de 1, mais forte a relação positiva, e quanto mais próximo o coeficiente de correlação está de -1, a relação é forte negativa. Quando o coeficiente de correlação está próxima de 0, há muito pouca ou nenhuma relação. É importante deixar claro que as correlações não implicam causa e efeito, eles só podem inferir uma relação, mas podem ser úteis para determinar se o que está acontecer é suficientemente confirmado para justificar uma investigação mais aprofundada.

 

 


Efectivamente muito temos produzido sobre análise de dados. Foram aqui sintetizadas perspectivas de diferentes autores sobre análise quantitativa e qualitativa. A primeira pergunta que me assola neste momento é: “O que é que faço agora com tanta informação para processar?” É curioso que as leituras sobre análise de conteúdo além de serem essenciais para o produto final (a construção da wiki) também me parecem sê-lo para o processo que temos de encetar. Teremos, em primeiro lugar que organizar os dados, tentando encontrar pontos de entendimento entre os diferentes autores e proceder à categorização que, a meu ver, não é mais do que a estrutura da wiki. Posteriormente, tentaremos reorganizar todos estes resumos em unidades de dados que facilitem a construção de um produto final objectivo, coerente, coeso e claro. Será caso para dizer “E esta hem?!"

 

Segundo Bogdan e Bilken (1991: 205) a análise de dados é um “processo de busca e de organização sistemático de (…) materiais que foram sendo acumulados, com o objectivo de aumentar a sua própria compreensão” .
Este processo consubstanciar-se-á em diferentes fases:
·         Organização dos dados;
·         Divisão dos dados em unidades manipuláveis;
·         Procura de padrões;
·         Descoberta de aspectos importantes.
Dado existirem diversas formas de trabalhar os dados resultantes de uma investigação qualitativa, os autores distinguem entre dois tipos de abordagem:
1.      Análise concomitante com a recolha de dados
2.      Análise após a recolha de dados
Análise concomitante com a recolha de dados
Os autores não recomendam esta abordagem a investigadores com pouca experiência, embora reconheçam que existe sempre alguma análise que tem de ser feita no momento de recolha de dados. Assim, são apresentadas algumas sugestões no sentido de tornar o processo de análise mais eficiente:
·         Fazer escolhas que contribuam para afunilar o âmbito do estudo e consequentemente recolher dados mais precisos e centrados num contexto ou sujeito(s) específico(s).
·         Optar por um modelo investigativo, na medida em que este condiciona o processo encetado daí em diante.
·         Elaborar questões de natureza aberta e analítica. A formulação de questões é que orienta o processo de recolha e análise de dados, logo deverão estar intimamente relacionadas com o estudo que se pretende levar a cabo. Num estudo qualitativo, as questões devem ser mais orientadas para processos e significados do que para aspectos como causas ou efeitos.
·         As sessões de recolha de dados devem ser planificadas no sentido de responder à questão “o que é que ainda não sei e pretendo saber?”. A reposta a esta questão poderá levar à necessidade de proceder a reajustes ao plano inicialmente elaborado.
·         O investigador deve registar notas / comentários, especular , estimulando o pensamento crítico sobre o que observa.
·         Redacção periódica de memorandos, num estilo informal e livre, em que o investigador procura estabelecer ligações entre os dados que observou e as suas notas / comentários.
·         Confrontar os sujeitos observados ou, segundo os autores, “informadores-chave”, com a informação recolhida, no sentido de estes validarem os dados.
·         Proceder à revisão da literatura paralelamente ao trabalho de campo. Esta perspectiva contrasta com a de outros autores como Glaser, que consideram que a revisão teórica deve ser primeiro passo na investigação qualitativa. O investigador não deve deixar que as leituras efectuadas funcionem como inibidoras do pensamento crítico.
·         Expandir os horizontes analíticos através da utilização de metáforas.
·         A utilização de auxiliares visuais como diagramas, tabelas e matrizes poderão também facilitar o processo de análise.
 
Análise após a recolha de dados
·         Desenvolvimento de categorias de codificação – findo o processo de recolha é necessário organizar a informação de acordo com um esquema que tem de ser desenvolvido. A criação de um sistema de codificação inicia-se com diversas leituras da informação recolhida no sentido de regularidades, padrões, temas recorrentes, procurando palavras ou frases capazes de os sistematizar. Estas palavras ou frases apelidam-se de categorias de codificação. Estas categorias são influenciadas quer pelas questões de investigação, quer pelos objectivos. Ainda assim, os autores apresentam exemplos de códigos, no sentido de ilustrar como é que a informação pode ser codificada:
o        Códigos de contexto: nomeadamente bibliografia descritiva.
o        Códigos de definição da situação: como as percepções dos sujeitos sobre situações ou tópicos particulares.
o        Perspectivas tidas pelos sujeitos: que incluem normas, regras  e pontos de vista partilhadas.
o        Pensamentos dos sujeitos sobre pessoas e objectos: relacionados com as percepções que os sujeitos têm uns dos outros.
o        Códigos de processo: muito utilizados nas histórias de vida, referem-se a categorização de sequências de acontecimentos, alterações ao longo do tempo.
o        Códigos de actividade: relacionam-se com tipos de comportamentos de carácter regular.
o        Códigos de acontecimento: apontam para casos particulares ou com escassa incidência.
o        Códigos de estratégia: “referem-se a tácticas, métodos, caminhos, técnicas, manobras e outras formas conscientes de as pessoas realizarem várias coisas” (p. 227).
o        Códigos de relação e de estrutura social: relacionadas com padrões de comportamento entre pessoas (amizade, coligações, romances)
o        Códigos de métodos: como por exemplo os comentários do investigador.
o        Sistemas de codificação preestabelecidos
 
As formas de trabalhar os dados
O primeiro passo consiste em organizar todo o material de modo a facilitar a sua consulta. Passa-se, de seguida, ao desenvolvimento de categorias de codificação, a que é, posteriormente, atribuído um código (número, abreviatura). O etapa seguinte caracteriza-se pela estruturação do material em unidades de dados. As unidades de dados tanto podem ser constituídas por um parágrafo, como uma frase, ou um conjunto de parágrafos. Muitas vezes há uma sobreposição de unidades de dados, uma vez que os dados cabem em mais do que uma categoria.
 
 
 









Stake, R. (2009). A arte da investigação com estudos de caso. Lisboa. Fundação Calouste Glubenkian.





 



Segundo Stake a triangulação consiste em protocolos que permitem a procura de rigor e explicações alternativas. Por vezes através de observações adicionais é necessário rever uma interpretação.


Existem segundo Norman Denzin quatro protocolos:


Triangulação das fontes de dados: permite verificar se o que estamos a observar a relatar se mantém inalterado em circunstâncias diferentes;


Triangulação do investigador: consiste em outros investigadores observarem o mesmo fenómeno e apresentarem as observações (com ou sem a sua interpretação) proporcionando o debate interpretações alternativas,


Triangulação da teoria: consiste na escolha de co-observadores, pois permite comparar diferentes interpretações. Significados alternativos podem ajudar os leitores a compreender o caso;


Triangulação metodológica: consiste em utilizar várias abordagens, que permitem real realçar ou invalidar algumas influências exteriores.


Para Denzin e muitos investigadores qualitativos, os protocolos de triangulação passaram a ser uma busca de interpretações adicionais mais do que a confirmação de um único significado (Flick, 1992)” (Também concordo com esta afirmação)


Para que o leitor possa triangular, a descrição do caso terá que apresentar um corpo substancial de descrição incontestável. O relato deverá ser muito minucioso, relatando-se por vezes o que o leitor já conhece, assegurando-lhe que a descrição está correcta. Contudo para qualquer afirmação descritiva e interpretação poderá ser necessário a triangulação.



Situação dos Dados



Necessidade de Triangulação



Descrição incontestável



Precisa de pouco esforço para a confirmação



Descrição dúbia e contestada



Precisa de confirmação



Dados importantes para uma asserção



Precisa de esforço extra para a confirmação



Interpretações - chaves



Precisa de esforço extra para a confirmação



Convicções do autor, assim identificadas



Precisa de pouco esforço para a confirmação



Tabela (p. 125)


Em estudos de caso os actores ajudam a triangular as observações e as interpretações do investigador.


Poder podia... Mas não era a mesma coisa!


O teste t pode distinguir-se em duas vertentes:


Teste t para amostras não relacionadas:


Compara as médias de uma variável para dois grupos de casos independentes, ou seja, grupos entre os quais não há relação no que toca a pessoas ou objectos.


Pode ser utilizado quando o número de casos é bastante pequeno.


Ex: Permite saber se a taxa de colesterol de um gestor é a mesma da população em geral; se os licenciados trabalham 40 horas por semana em média, etc.


Teste t para amostras relacionadas


Compara as médias de duas variáveis para um mesmo grupo.


Ex: Comparar a tensão arterial de um grupo de indivíduos antes e depois de um tratamento.


As variáveis a comparar são a tensão arterial antes do tratamento e depois do tratamento.


Cenário alternativo: Comparação entre um grupo de sujeitos e um grupo de controlo.


Num estudo sobre tensão arterial, o sujeito e o seu par de controlo poderiam ser emparelhados por idade.


Pereira, A. (2006). Guia prático de utilização do SPSS - Análise de dados para Ciências Sociais e Psicologia. Edições Sílabo, lda. Lisboa;


Deixo um trabalho que se tiverem oportunidade de ver aborda a análise qualitativa e foca muitos dos pormenores já por vós deixados aqui no blog.........

 

www.scribd.com/doc/16065976/Pesquisa-qualitativa-em-sistemas-de-informacao










Berg, Bruce L. (2001). Qualitative Research methods for the social sciences.


Apresenta a distinção qualitative e quantitative (p.3)


"Quality refers to the what, how, when, and where of a thingits essence and ambience. Qualitative research thus refers to the meanings, concepts, definitions, characteristics, metaphors, symbols, and descriptions of things. In contrast, quantitative research refers to counts and measures of things".


 


A pesquisa  qualitativa inclui métodos como a observação experimental  de ambientes naturais, técnicas fotográficas (incluindo a filmagem), análise histórica (historiografia), e análise de documentos textuais etc….  


 


Este livro descreve em detalhes sete formas  para colher dados qualitativos: entrevistas, grupos focais, a etnografia, a sociometria, medidas discretas, a historiografia e estudos de caso.


 


Metodologia de pesquisa – Triangulação


Apesar de diferentes designações para muitos pesquisadores, a triangulação  consiste no uso de múltiplas técnicas de recolha de dados (geralmente três) para investigar o mesmo fenómeno.


 Denzin (1978, p. 295) descreve quatro categorias da seguinte forma:

(1) triangulação de dados  que subdivide em três subtipos: a) tempo, b) espaço, e c) pessoa.


Em que Pessoa se subdivide em três níveis: a) agregação, b) interativo, e c) colectividade.

(2) triangulação do investigador consiste no uso múltiplo, em vez de simples observadores do mesmo objecto.


(3) Teoria de triangulação consiste na utilização de múltiplas perspectivas, em vez de simples em relação ao mesmo conjunto de objectos.


(4) Triangulação metodológica pode implicar triangulação de método e entre-triangulação de método.



 


Isabel, uma vez que também estiveste a ler sobre este assunto, podes dizer qual a diferença destas categorias com as que leste? Fiquei um pouco na dúvida porque se repararem a distinção entre a 2ª e a 3ª não é muito clara.....Parece que esta metodologia tem que fazer parte do nosso trabalho, reparem na imensidão de investigadores e suas opiniões:


"The research literature continues to support Denzin's (1970,1978) recommendation

to triangulate during research. For example, Goetz and LeCompte

(1984) describe its use as a means of refining, broadening, and strengthening

conceptual linkages. Borman, LeCompte, and Goetz (1986) similarly stress that

triangulation allows researchers to offer perspectives other than their own".


 



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