Este blogue será utilizado na nova Unidade Curricular - Metodologias de Investigação do Programa Doutoral Multimédia em Educação. Os elementos do grupo são: Carlota Lemos,Cláudia Cruz, Isabel Araújo, Luís Pereira e Lurdes Martins.

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Abr 10
















Sandelowski (2000) sugere que o método misto, ou seja a combinação de amostragens, recolha e análise de dados de tipo qualitativo e de tipo quantitativo é uma opção a ter em conta se queremos expandir a abrangência do nosso estudo ou se queremos aumentar o seu poder analítico. De referir que os exemplos referem-se a investigação no quadro da enfermagem mas podem ser elucidativos e generalizáveis a outros contextos. 


FORMAS DE COMBINAR DIFERENTES TÉCNICAS DE ANÁLISE DE DADOS: 


1 - É possível ligar/relacionar conjuntos de dados qualitativos e quantitativos preservando, ao mesmo tempo, os números e as palavras de cada conjunto;


Isto é feito tratando cada conjunto de dados com as técnicas habitualmente a ele associadas.


Os resultados da análise qualitativa aos dados qualitativos e os resultados da análise quantitativa aos dados quantitativos são depois combinados ao nível interpretativo da pesquisa mas cada conjunto de dados permanece separado. 


2 - Transformar os dados para criar um único conjunto de dados, com os dados qualitativos convertidos em quantitativos ou vice-versa (Tashakkori and Teddlie, citados em Sandelowski, 2000);


2.1 - Processo de “Quantitização” (Quantitizing)

Quando os dados qualitativos são tratados com técnicas quantitativas para os transformar em dados quantitativos. Este tipo de tratamentos pode ser usados para extrair mais informação dos dados qualitativo.  

Exemplo 1: O investigador reduz dados visuais ou verbais (de entrevistas, observações, artefactos ou documentos) a itens, constructos ou varíáveis que com a intenção de significarem apenas uma coisa específica e que, por isso, podem ser representadas numericamente. Isto pode ser feito através da criação de itens para um instrumento para dados decorrentes de uma entrevista.


Os tratamentos quantitativos de dados qualitativos também podem ser usados para retirar mais informação destes dados e para confirmar as impressões que os investigadores têm sobre esses dados.


Exemplo 2: Redução de dados narrativos a uma variável que pode ser correlacionada com outras variáveis.


2.2 – Processo de “Qualitificação” (Qualitizing)


Processo pelo qual os dados quantitativos são transformados em qualitativos. Tal como no processo anterior pode servir para retirar mais informações dos dados quantitativos ou confirmar interpretações a eles respeitantes.

Exemplo: o uso de scores em instrumentos para criar perfis dos participantes – criar retratos verbais ou tipologias deles – em relação aos fenónemos alvo.


Segundo Tashakkori and Teddlie (citados em Sandelowski, 2000) há cinco tipos de narrativa qualitativa ou de maneiras de criar perfis:

Modal – descrição verbal de um grupo de participantes à volta dos atributos que ocorrem com maior frequência. Ex: se a maior parte dos sujeitos tem à volta de 50 anos, o grupo pode ser descrito como de meia-idade

Média – descrição verbal à volta da média de uma atributo


Comparativo - descrição verbal com base na comparação de participantes entre si em um ou mais conjuntos de scores


Normativo - descrição verbal com base na comparação dos scores dos participantes para os scores normativos de um ou mais instrumentos


Holístico - descrição verbal baseado em impressões, em vez de atributos específicos ou pontuações. Os perfis holísticos podem também ser compostos das várias combinações de modal, média, comparativa e perfis normativos.


 

Sandelowski, M. (2000). Focus on Research Methods Combining Qualitative and Quantitative Sampling, Data Collection, and Analysis Techniques in Mixed-Method Studies. Research in Nursing & Health. 23, 246–255. John Wiley & Sons, Inc.


 

 


















TIPOS DE ENTREVISTAS


Existem estruturas de entrevistas conhecidas por "a família de entrevistas qualitativas" (Rubin & Rubin, 1995).


Algumas fontes mencionam apenas dois, ou seja, formal e informal (Fitzgerald &Cox, 1987, pp. 101-102).


Outras fontes referem-se a este processo de investigação, como estruturados ou não estruturados (Fontana & Frey 1994; Leedy, 1993).


 


No entanto, apelo menos três grandes categorias, podem ser identificadas (Babbie, 1995; Denzin, 1978; Frankfort-Nachmias & Nachmias, 1996; Gorden, 1987; Nieswiadomy 1993):


·         entrevista padronizada (formal ou estruturada),


·         entrevista não padronizada (informal ou entrevista não-directiva),


·         entrevista semi-padronizada (semi-estruturadaou semi-dirigida).


 


A entrevista padronizada


 


A entrevista padronizada usa uma lista de questões formalmente estruturada. Os entrevistadores são pedem sugestões de resposta para cada questão.


Pretende-se oferecer acerca de cada assunto um estímulo para que as respostas às perguntas, sejam comparáveis (Babbie, 1995).


Os investigadores supõem que as questões agendadas nos seus instrumentos de entrevista são suficientemente abrangentes para retirar de todos os indivíduos (ou quase todos) as informações pertinentes ao tema do estudo (s).


Eles também assumem que todas as questões foram formuladas de forma a que os indivíduos compreendam claramente o que lhes está a ser solicitado.


 


A entrevista não- padronizada


Em contraste com a rigidez de entrevistas padronizadas, as entrevistas não-padronizadas não utilizam listas de perguntas,  funcionam a partir de um conjunto diferente de suposições em que em primeiro lugar, os entrevistadores começam com a suposição de que eles não sabem de antemão todas as informações necessárias para responder às perguntas.


 


Não existe uma lista de questões pre-determinada e é assumido pelos entrevistadores que nem todos os assuntos terão necessariamente uma correspondência em palavras dado que cada assunto interpretado de diferentes maneiras.


 


Numa entrevista não-padronizada, os entrevistadores devem desenvolver, adaptar e


gerar questões  a  investigar adequadamente para dada situação e para o propósito central das investigações.


Schwartz e Jacobs (1979, p. 40) referem que isto resulta de questões apropriadas e relevantes que surgem durante a própria entrevista.


A entrevista não-padronizada  é utilizada, às vezes, durante o decurso de pesquisas de campo para aumentar as observações.


Estas entrevistas permitem que os investigadores possam obter informações adicionais sobre vários fenómenos que eles observam ao realizar questões aos participantes


Em alguns outros casos, as entrevistas não-padronizados são úteis quando


pesquisadores não estão familiarizados com os estilos de vida(religiosos, culturas étnicas e costumes) dos entrevistados.


 


Entrevista Semi-padronizada


Localiza-se algures entre o extremo da padronização completa e a estrutura não- padronizada. Este tipo de entrevista envolve a execução de uma série de

perguntas pré-determinadas e / ou tópicos especiais. Estas perguntas são tipicamente

feitas a cada entrevistado numa sistemática e consistente ordem.


As questões padronizadas devem ser formuladas em palavras familiares aos entrevistados e as questões não-padronizadas podem reflectir a forma como os indivíduos compreendem o mundo.


 


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